Humberto Coelho, antigo capitão e selecionador da Seleção portuguesa, veio a público esta quarta-feira criticar a forma como foi gerida a saída de Cristiano Ronaldo da concentração da equipa nacional na Dinamarca. Em entrevista ao programa Bola Branca, da Rádio Renascença, o histórico defesa central garantiu que, se estivesse no papel de selecionador, o episódio nunca teria acontecido.
As declarações surgem numa altura em que o caso Ronaldo continua a dividir opiniões em Portugal, semanas depois de o avançado ter abandonado o estágio da Seleção Nacional em Copenhaga.
Quem é Humberto Coelho e o que disse
Humberto Coelho não é uma voz qualquer no futebol português. Como jogador, representou a seleção por 63 vezes e, como selecionador, orientou a equipa das Quinas outras 24 vezes. Foi ainda vice-presidente da Federação Portuguesa de Futebol entre 2011 e fevereiro de 2025.
Sobre o impacto geral da crise, foi direto: «Ninguém ganhou. Ninguém ganhou e ninguém vai ganhar. Isto foi, de facto, um período muito, muito complicado, muito negro. Não só para o Cristiano Ronaldo, mas também para a federação.»
«Se eu fosse selecionador, isto não acontecia»
A crítica à gestão do caso
O antigo defesa-central não poupou críticas à forma como a situação foi conduzida pela estrutura atual. «Eu sei é que, se eu fosse selecionador, isto não acontecia. Isto com certeza. Não deveria acontecer», afirmou, deixando claro que também não teria permitido o desfecho caso fosse jogador no balneário.
Apesar da crítica, reconheceu o peso histórico de Ronaldo na equipa nacional: «Eu acho que ele é de facto o capitão. A gente esteve 20 anos com o Cristiano Ronaldo a apoiar e a andar com a Seleção às costas», sublinhou.
Suspensão e multa aplicadas pela FPF
Cristiano Ronaldo foi suspenso por 30 dias e multado em 255 euros pelo Conselho de Disciplina da Federação Portuguesa de Futebol, por ter abandonado o estágio da seleção portuguesa na Dinamarca. Sobre este ponto, Humberto Coelho defendeu que «era importante» que Ronaldo «fosse suspenso», mas considerou a coima aplicada «um bocado fora do contexto» e que «não ajuda nada», admitindo que a resolução do processo ficou aquém do desejável.
Ronaldo capitão outra vez? A palavra é dos jogadores
Questionado sobre um eventual regresso de Ronaldo com a braçadeira de capitão, Humberto Coelho recusou dar uma resposta fechada e devolveu a decisão ao balneário. «Isso depende tudo dos jogadores, não é? Porque há uma coisa que é importante, parece que os jogadores hoje estão com o Jorge Jesus», notou, numa referência direta à relação de confiança construída entre o plantel e o atual selecionador, protagonista de uma crise que também ameaçou o seu próprio futuro no cargo.
O antigo capitão deixou ainda um aviso sobre as condições de um eventual regresso: «Se o regresso não for bem delineado e bem preparado, com responsabilidade, não adianta. (…) Podem haver outra vez problemas graves», alertou, defendendo que «tem de haver um entendimento, mas um entendimento que seja bom».
O que vem a seguir para Ronaldo e a Seleção
Calendário da Seleção
A suspensão de Ronaldo termina a 30 de outubro, o que, em teoria, o deixaria disponível para ser chamado por Jorge Jesus para os próximos compromissos de Portugal na Liga das Nações, nomeadamente os jogos frente à Dinamarca e ao País de Gales marcados para novembro. A própria equipa já mostrou saber vencer sem o avançado do Al-Nassr, o que alimenta ainda mais o debate sobre o seu papel futuro no grupo.
Declarações que mantêm o tema em aberto
Pedro Proença, presidente da FPF, e o próprio Jorge Jesus já admitiram publicamente a possibilidade de um regresso de Ronaldo à seleção, ainda que sem detalhar prazos ou condições. Humberto Coelho resumiu bem o sentimento geral quando confessou não saber, «sinceramente», o que vai acontecer a seguir, deixando a porta aberta para novos capítulos numa novela que já marcou profundamente o arranque da era Jorge Jesus na seleção nacional.
