Cristiano Ronaldo publicou esta semana um comunicado de seis páginas a explicar a crise que o opôs a Jorge Jesus na Seleção, admitindo o erro de ter abandonado o estágio em Copenhaga e aceitando um eventual castigo da Federação Portuguesa de Futebol (FPF). Dois dias depois, a imprensa avança que o próprio selecionador também pode vir a ser chamado a responder disciplinarmente pelo mesmo episódio.
Ronaldo assume o erro e pede desculpa publicamente
Em seis páginas, o jogador acusa Jorge Jesus de faltar às promessas feitas e de ter tido uma atitude de «quero, posso e mando», fazendo uma cronologia dos acontecimentos dos últimos meses. Garante agora que quer voltar, mas apenas depois de cumprir o castigo que a federação considerar apropriado.
No texto, Ronaldo afirma que errou quando decidiu abandonar o estágio da seleção e pede desculpas aos colegas e aos portugueses, acrescentando que a consequência desse ato deve ser avaliada e punida pela federação, sem qualquer tipo de atenuantes. No comunicado, o capitão escreve: «A responsabilidade é exclusivamente minha.»
Segundo o próprio jogador, para acalmar os ânimos houve uma nova reunião entre Ronaldo e Jesus, já com a presença do presidente da FPF, Pedro Proença. O abandono do estágio em Copenhaga tinha reaberto uma tensão que já vinha de trás, entre o selecionador e o capitão da equipa das Quinas.
Quanto tempo pode o capitão ficar de fora
A pena prevista no regulamento
De acordo com o artigo 160.º do Regulamento Disciplinar da FPF, o abandono injustificado de atividades da Seleção pode ser punido com uma suspensão entre um e seis meses, além de uma multa aplicável a jogadores profissionais. Essa moldura prevê ainda uma multa entre 500 e 1000 euros para o infrator.
Um historial recente de suspensões
Não será a primeira vez que Ronaldo falha jogos por castigo. O avançado foi expulso pela primeira vez ao serviço da seleção portuguesa, ao fim de 226 jogos, diante da Irlanda, numa fase de qualificação para o Mundial. Nessa altura, caso fosse punido com mais do que um jogo de suspensão, poderia falhar encontros da fase final do Mundial-2026, mas acabou por ficar disponível para o jogo de estreia na fase final, após ter sido castigado por três partidas, duas das quais suspensas na sua execução.
Jorge Jesus também pode ser chamado a responder
A novidade das últimas horas é que o processo pode não ficar circunscrito ao capitão. O Correio da Manhã avançou que o selecionador pode também enfrentar consequências, apontando para um eventual comportamento incorreto de Jorge Jesus na relação com o capitão das Quinas.
Por agora, importa sublinhar que não existe confirmação pública de um castigo aplicado a Jorge Jesus por este episódio, e a FPF não confirmou qualquer decisão oficial sobre o técnico. O treinador já tinha resistido a uma ameaça de despedimento no auge da polémica, mantendo-se no cargo apesar da pressão mediática gerada pelo caso.
O que vem a seguir para a Seleção
O presidente da FPF, Pedro Proença, tem sido o rosto da tentativa de pacificação entre Ronaldo e Jesus desde o início da crise. Segundo relatos recentes, Proença confia que as duas partes resolvam o problema até à próxima convocatória, cujos jogos ocorrerão em novembro.
Entretanto, o episódio continua a gerar ruído à volta da Seleção portuguesa, com direito a boatos e versões contraditórias — chegou mesmo a ser desmentida uma citação falsa atribuída ao capitão durante a polémica. Resta agora aguardar se a FPF vai mesmo abrir um processo disciplinar a Jorge Jesus, paralelo ao que já se admite para Ronaldo, antes da reunião do grupo em novembro.
