Jorge Jesus está a viver os dias mais tensos desde que assumiu o comando da Seleção Nacional, depois de um amigo pessoal do treinador ter revelado, esta terça-feira, que o selecionador foi ameaçado de despedimento caso não pedisse desculpa pública a Cristiano Ronaldo. A polémica surge dias depois de Ronaldo ter abandonado a concentração da equipa em Copenhaga, e mantém-se como o principal foco de atenção em torno da seleção portuguesa.

Carlos Padrão revela ameaça de despedimento a Jorge Jesus

Carlos Padrão, antigo guarda-redes e amigo pessoal de Jorge Jesus, afirmou no programa Jogo Aberto, da SIC Notícias, que Tiago Craveiro, ex-vice-presidente da Federação Portuguesa de Futebol e atual funcionário de uma das empresas de Cristiano Ronaldo, entrou em contacto com pessoas próximas de Jorge Jesus e disse que se o selecionador não fizesse um pedido de desculpas público a abrir a conferência de imprensa antes do jogo com a Dinamarca, seria demitido. Segundo Padrão, houve «uma ameaça velada, que não foi feita diretamente a Jorge Jesus».

Quem é Tiago Craveiro

Tiago Craveiro integrou grupos de trabalho da FIFA e da UEFA, onde exerceu o cargo de administrador da UEFA Club Competitions, tendo deixado a FPF em 2022 para assumir funções estratégicas na UEFA e, no final de 2023, tornar-se consultor estratégico da CR7 SA, a holding de Cristiano Ronaldo. É essa ligação próxima ao avançado que coloca Craveiro no centro da polémica.

Jesus não pede desculpa e assume apenas o erro

Apesar da pressão, Jorge Jesus garantiu ao amigo que não pediu desculpas a ninguém, tendo apenas feito a assunção do erro. Na visão do treinador, «admitir um erro é uma coisa, pedir desculpa é outra», resumiu Carlos Padrão. O mesmo amigo revelou ainda que falou com Jorge Jesus de manhã e que o selecionador está «muito triste» com toda a situação.

Selecionador volta às redes sociais sem ceder à pressão

Em contraste com a tensão nos bastidores, Jesus optou por marcar presença pública de outra forma: através de uma mensagem no Instagram a celebrar o percurso da equipa nesta fase da Liga das Nações. «Terminámos esta fase com um excelente resultado. Quatro jogos, quatro vitórias! Que venha a próxima etapa, estamos confiantes!», escreveu o treinador de 72 anos.

Quatro vitórias em quatro jogos

A mensagem surge depois de Portugal ter garantido a presença nos quartos de final da Liga das Nações com quatro vitórias em quatro jogos, frente ao País de Gales, à Dinamarca e por duas vezes à Noruega. Foi precisamente o jogo com a Noruega, em que Ronaldo aqueceu mas não chegou a entrar, que reacendeu a crise que já tinha levado o capitão a deixar o estágio em Copenhaga, episódio que se seguiu à vitória sobre a Dinamarca sem o avançado.

Piers Morgan e Rio Ferdinand juntam-se à polémica

A crise entre Jesus e Ronaldo já ultrapassou fronteiras. O jornalista britânico Piers Morgan, próximo do avançado, voltou a atacar o selecionador nas redes sociais, chamando-lhe «idiota arrogante» e acusando-o de nunca ter sido suficientemente bom para jogar pela seleção portuguesa, menosprezando agora «o maior jogador do país». Morgan foi ainda mais longe num podcast próprio, comparando Jesus a Erik ten Hag e sugerindo que o técnico mostra «falta de respeito chocante» para com Ronaldo, priorizando a própria reputação em vez do estatuto do avançado.

Também o antigo defesa inglês Rio Ferdinand entrou na discussão, defendendo que o selecionador «tem de vir pedir desculpa... ou então vai acabar despedido», tendo de assumir publicamente que julgou mal a situação. Jesus, porém, já tinha deixado claro na conferência de imprensa após o triunfo sobre a Noruega que não tenciona pedir desculpas a ninguém.

O que vem a seguir para Ronaldo e a Seleção

Apesar da tensão, a Seleção Portuguesa e a FPF mantiveram a porta aberta ao regresso do capitão. Segundo o jornal O Jogo, da parte da federação e de Jorge Jesus foram dados os passos para o regresso do capitão, cabendo agora a Ronaldo dar o passo seguinte, não estando prevista, para já, nenhuma reunião ou viagem. Nem todos acreditam, porém, que esse regresso vá acontecer enquanto Jesus comandar a equipa: o comentador Rui Santos defendeu publicamente que Ronaldo não volta à seleção enquanto Jorge Jesus for o selecionador, uma tese que tem ganho eco junto de parte da imprensa.

Para já, Jesus prefere concentrar-se nos resultados dentro de campo e na preparação da fase seguinte da Liga das Nações, enquanto a polémica com Ronaldo continua a dominar as atenções em torno da carreira do treinador à frente da equipa nacional.