Roberto Martínez, antigo selecionador português, tinha um acordo fechado com a Federação Saudita de Futebol para assumir o comando técnico da seleção da Arábia Saudita depois da Taça do Golfo Pérsico. A conquista do troféu por Georgios Donis, o atual treinador grego, complicou os planos e deixou a federação saudita num impasse que está a dominar a atualidade do futebol do Golfo nesta quinta-feira.
Um acordo traçado antes da Taça do Golfo
O negócio terá sido fechado longe dos holofotes. O acordo com o treinador espanhol, antigo selecionador de Portugal, terá sido alcançado por intermédio do diretor técnico Matt Crocker, ainda antes de iniciar a Taça do Golfo Pérsico.
O objetivo da federação saudita não era imediato. O entendimento terá sido alcançado antes da competição e tinha como objetivo a preparação da equipa para a Taça Asiática de 2027, que será disputada na Arábia Saudita.
Os números milionários do contrato
Segundo o jornal saudita Asharq Al-Awsat, o acordo previa que Martínez assumisse a seleção durante os próximos quatro anos, com um salário anual de 13 milhões de euros, mantendo o cargo até ao final do Mundial de 2030. Um valor muito superior aos quatro milhões brutos que recebia anualmente enquanto orientava a Seleção Nacional portuguesa.
O troféu que baralhou os planos sauditas
O cenário mudou por completo na própria Taça do Golfo. O triunfo saudita na competição voltou a abrir a porta à permanência de Georgios Donis, técnico grego que havia assumido a equipa em abril, e que levou a seleção à vitória da Taça, ao vencer os Emirados Árabes Unidos, por 2-0, na final disputada há dois dias em Jeddah.
A vitória de Donis em Jeddah
O triunfo teve um significado especial para o futebol saudita. A seleção saudita, orientada por Georgios Donis, venceu a Taça do Golfo e recuperou um troféu que não conquistava desde 2004. Antes da decisão, Donis tinha falhado em levar os «Falcões Verdes» além da fase de grupos no Mundial 2026, mas acabou por pôr fim a um longo jejum ao reconquistar o título do Golfo.
Dias depois, o próprio técnico já falava em continuidade e planeamento para a Taça Asiática. A Federação Saudita, aliás, já lhe tinha garantido um vínculo alargado: a federação concedeu-lhe um contrato que se estende até julho de 2027, o que reflete que a missão não estava vinculada a um único torneio.
O dilema de Al-Ruzaiza
Perante o sucesso recente de Donis, o presidente da federação saudita enfrenta agora uma escolha desconfortável. Badr Al-Ruzaiza, presidente da federação, não garantiu que Donis continuava, mas também não confirmou a saída, pelo que neste momento há um impasse: ou é feito um pedido de desculpas a Martínez para quebrar o acordo de cavalheiros ou o grego sai mesmo já e o espanhol torna-se o novo selecionador da Arábia Saudita.
Até ao momento, nenhuma das partes confirmou oficialmente a situação, e a informação continua a circular com base em fontes da imprensa saudita, nomeadamente a Riyadiya TV.
Martínez, sem clube desde a saída de Portugal
O técnico espanhol está sem emprego há vários meses. Roberto Martínez orientou a Seleção Nacional portuguesa desde janeiro de 2023 até julho de 2026, com a saída a coincidir com o fim da campanha da equipa das quinas no Campeonato do Mundo. Martínez está sem clube desde que deixou Portugal, após a eliminação no Mundial 2026 frente a Espanha.
Desde então, o nome do espanhol já tinha sido associado a outros projetos no Golfo. Roberto Martínez está livre no mercado depois do Mundial 2026, onde orientou a seleção portuguesa, e chegou a estar próximo do Al Nassr, negócio que acabou por não avançar.
Em Portugal, o lugar deixado por Martínez foi entregue a Jorge Jesus, que tem enfrentado a sua própria pressão mediática à frente da Seleção Nacional. Enquanto isso, o futuro de Martínez continua em suspenso, dependente de uma decisão que cabe inteiramente à Federação Saudita de Futebol.
Para já, resta aguardar se Al-Ruzaiza opta pela continuidade de Donis, recompensando o título conquistado em casa, ou se decide avançar com o acordo gizado com Martínez meses antes do torneio, mesmo que isso implique romper com o técnico grego logo depois de um triunfo histórico.
