Vítor Murta, antigo presidente do Boavista Futebol Clube e da respetiva SAD, morreu esta sexta-feira, dia 16 de outubro, aos 50 anos. O dirigente faleceu na manhã desta sexta-feira, após ter sofrido um ataque cardíaco em casa, em Leça da Palmeira. A notícia foi avançada pelo jornal O Jogo e rapidamente confirmada por outros meios desportivos nacionais.

Murta liderou os axadrezados durante um dos períodos mais conturbados da história recente do clube do Bessa, entre crises financeiras, mudanças de propriedade e também episódios polémicos que marcaram a sua passagem pela liderança.

Quem era Vítor Murta

Formado em advocacia, com especialização em Direito Fiscal, sucedeu a João Loureiro na liderança do clube do Bessa, depois de o antigo líder ter tomado a decisão de não se recandidatar, alegando «questões pessoais». A chegada à presidência do clube não foi um processo isolado: Murta já tinha ligação à estrutura boavisteira havia alguns anos antes de assumir o cargo máximo.

A eleição de 2018

Vítor Murta foi eleito presidente do clube a 28 de dezembro de 2018, tendo recolhido 334 dos 441 votos registados, o que corresponde a 75,7% dos votos, num universo de 3.600 sócios aptos a exercer esse direito. A margem expressiva traduziu-se num mandato longo, que se prolongaria por mais de seis anos à frente dos destinos do clube.

A gestão da SAD e a venda a Gérard López

Vítor Murta foi presidente do Boavista de 2018 a 2024, tendo também liderado a SAD a partir de 2020. Durante esse período, teve um papel central num dos processos mais relevantes da história recente do clube: esteve ligado à venda da SAD do Boavista, negociando-a com o empresário luxemburguês Gérard López antes da temporada 2020/21.

Uma saída conturbada da SAD

O percurso de Murta na liderança da estrutura profissional do clube terminou de forma abrupta. Em 2024, Vítor Murta demitiu-se do cargo de presidente da SAD do Boavista, após uma derrota, em casa, com o Braga, por 0-4, afirmando no final do jogo que já tinha comunicado ao acionista maioritário a cessação das suas funções no conselho de administração, passando a partir daí a atuar «apenas em gestão».

Mesmo depois de deixar a SAD, Murta manteve-se como presidente do clube até ao início de 2025. Já no final do seu mandato, regularizou o pagamento de salários em atraso aos funcionários do clube, referentes a outubro e novembro de 2024, gesto que o seu sucessor reconheceu publicamente.

A sucessão e o legado no Bessa

A saída definitiva de Murta da presidência deu-se em janeiro de 2025, num ato eleitoral concorrido. Num sábado marcado pela muita afluência ao Estádio do Bessa, os sócios das «Panteras» elegeram o advogado Rui Garrido Pereira, de 49 anos, que tinha como mote de candidatura «Um Boavista, para Todos». O candidato recolheu 1114 votos (79,5%) e superou Filipe Miranda, que obteve 270 votos, num universo de 1401 sócios.

O período de Murta à frente do clube não ficou isento de episódios de forte contestação. O antigo dirigente foi alvo de um processo disciplinar da Federação Portuguesa de Futebol instaurado em outubro de 2023, que resultou numa sanção já depois de ter deixado a liderança da SAD, por comportamentos considerados discriminatórios no exercício do cargo. Esse processo, tal como outros momentos de tensão com adeptos e com órgãos de arbitragem, marcou um mandato descrito pela imprensa desportiva como particularmente exigente para o Boavista, marcado por dificuldades financeiras e desportivas.

As reações à morte

A notícia gerou de imediato reações no universo axadrezado. A Associação Panteras Negras, grupo de adeptos afetos ao Boavista, emitiu uma nota de pesar pela morte de Vítor Murta, recordando que, apesar de divergências antigas com a direção que liderou, reconhecia nele «o Homem digno, Pai, Companheiro e Amigo do próximo». No mesmo comunicado, o grupo de adeptos deixou um abraço solidário a Rodrigo, filho de Vítor Murta, «que tanto orgulho tem no seu Pai».

Até ao momento da publicação deste artigo, o Boavista enquanto instituição ainda não tinha emitido uma reação oficial à morte do antigo presidente, segundo a imprensa desportiva nacional.

O que muda agora para o Boavista

A morte de Vítor Murta surge mais de um ano e meio depois de ter deixado a presidência do clube, atualmente liderado por Rui Garrido Pereira. O legado de Murta ficará associado a um dos capítulos mais complexos da história recente dos axadrezados, num período em que o clube disputou a Liga Portugal lidando simultaneamente com constrangimentos financeiros e mudanças sucessivas na governação, um cenário que, mais recentemente, também levou a alterações na liderança técnica de outros clubes da prova, como aconteceu com a saída de Vasco Matos do Estoril.